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Sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Globo - RIO

Assim nasce uma favela

Parque Guinle escapa do choque de ordem e vira acampamento de mendigos

Paula Autran

Zona Sul do Rio, a 20 metros do Palácio Laranjeiras (onde já residiram pelo menos quatro governadores), com um quintal para ninguém botar defeito. O endereço nobre e privativo atraiu um morador que escolheu o Parque Guinle para se estabelecer, sem ser incomodado, nos últimos quatro meses. A dez passos do parquinho das crianças, embrenhando-se no mato por uma trilha de 15 metros, está o barraco que ergueu usando bambu como estrutura e folha de compensado e plástico como teto e paredes. Lá dentro, um kit de sobrevivência inclui água, lençóis arrumados sobre uma tábua de passar roupa, fósforos, vassoura e até um espelho.

O mais novo problema do Parque Guinle entrou numa extensa lista que inclui o uso de uma cascatinha como tanque e chuveiro para o banho de mendigos, além da falta de conservação e de segurança num local que faz parte de uma Área de Proteção Ambiental, a APA SZão José, e da ambiência de um bem tombado pelo instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), o palacete de Eduardo Guinle, erguido na década de 20. Originalmente, o jardim é obra do paisagista francês Gerard Cochet. Mas recebeu intervenções de Roberto Burle Marx quando a região ganhou toques modernistas com a construção de conjuntos residenciais projetados Poe Lúcio Costa para a elite carioca, entre 1948 e 1954.

Gramado serve de cama para família

No fim da manhã de ontem, o banho coletivo era desfrutado por quatro rapazes, que disseram ser moradores de rua. O barraco encoberto pelo mato foi mostrado aos repórteres do GLOBO por um vizinho do parque preocupado com os problemas que se acumulavam há anos na região e descrente das operações do choque de ordem - que completaram ontem um mês, sem ter até então chegado ao local. Ele descobriu o barraco, que fica vazio de dia, após observar um casal saindo do mato.

Procuradas ontem pelo GLOBO, as secretarias de Assistência Social e da Ordem Pública enviaram equipes ao Parque Guinle e despejaram à noite o dono do barraco, identificado como Carlos Augusto Machado, que veio de Caxias e é guardador de carros. Apesar do despejo, a vizinhança ainda conta com pelo menos mais uma família inteira que usa o gramado como cama à noite, sem dinheiro para voltar para casa, na Baixada Fluminense.

- São catadores de papel e vendedores de bala que moram em Belford Roxo e não ganham o suficiente para voltar para casa todo dia - conta Gilberto de Borja Reis Junior, que há três anos é responsável pela cama elástica no parquinho para as crianças. - Além deles, toda noite vem um monte de gente que vive nas ruas dormir e tomar banho aqui.

- O problema da população de rua é complexo para ser resolvido a curto prazo. Envolve analfabetismo, alcoolismo, drogas, violência doméstica, miséria. Não existem abrigos dignos nem funcionários da área da saúde para atender a todos - acrescenta o morador que descobriu o barraco e prefere não se identificar, lembrando que um bebê de uma destas famílias morreu afogado no lago do parque após engatinhar até lá enquanto seus pais dormian, em outubro de 2007.

Ele também denuncia a falta de conservação, evidenciada na ferrugem espalhada pelo monumental portão de ferro do parque e no roubo de balaústres de mármore de carrara de uma velha ponte junto ao lago. Fora a não reposição da lixeira quebrada e o descaso com o jardim, avariado depois da queda de duas árvores num período de três dias, há duas semanas.

- Por sorte foi à noite e não atingiu ninguém. Mas aqui os riscos são muitos, principalmente quando escurece. Muita gente vem usar drogas e quebra as lâmpadas dos postes.

- Vir aqui, só de manhã Tem muito mendigo - reclama Júlia Feitosa, mãe de um menino de 2 anos que adora brincar no pula-pula do parque.

Para aumentar a sensação de insegurança, a Guarda Municipal desativou seu posto no parque no primeiro semestre de 2008, tirando os guardas que ali davam plantão. O posto foi depredado, pichado e tem infiltrações.

Em nota, a Guarda Municipal informa que seu posto no parque foi desativado para atender a demandas de outros pontos de patrulhamento na cidade. Mas, diante das denúncias, a corporação vai enviar uma equipe hoje ao local para coibir as irregularidades, levantar dados e estudar a necessidade de reabertura do posto fixo.

Já Vera Dias, chefe de Divisão de Monumentos e Chafarizes da Fundação Parques e Jardins, órgão responsável pela conservação do Parque Guinle, diz que está fazendo orçamento para a recuperação do portão de ferro. Já com relação à mureta de mármore de carrara da ponte sobre o laguinho, ela informa que um bloco original, pesando cerca de 40 quilos, foi recolhido pelos técnicos e ajudará na restauração do conjunto.

O GLOBO NA INTERNET
Vídeo - Veja a moradia improvisada
oglobo.com.br/rio

Fotos de Ricardo Leoni

Esquerda: A cascatinha agora serve de chuveiro para mendigos, que também lavam roupa ali
Direita: A barraca do invasor é feita com plásticos, estrutura de bambu e folhas de compensado



Esquerda: O barraco a 20 metros do Palacio Laranjeiras: dentro, até vassoura e espelho
Direita: Moradores de rua caminham pelo parque: local escolhido para o banho


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